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Cinema mineiro de mulheres é apresentado em festival internacional no Uruguai

Redação Saiu Agora
22 de setembro de 2026 às 19:07
Cinema mineiro de mulheres é apresentado em festival internacional no Uruguai
Foto: Divulgação
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O cinema produzido por mulheres em Minas Gerais ganhou espaço na programação internacional da 14ª edição do CineFem, realizada em Punta del Este, no Uruguai. O curta-metragem Lapso, dirigido pela cineasta mineira Carol Cavalcanti, foi exibido no festival e levou ao público latino-americano uma narrativa ambientada na periferia de Belo Horizonte, com foco na juventude negra e surda.

A participação ocorreu por meio do projeto “Cinema Mineiro de Mulheres no Mundo”, iniciativa voltada à circulação internacional de obras produzidas em Minas Gerais e ao fortalecimento da presença feminina no audiovisual. O CineFem teve início oficial em 16 de setembro e reuniu realizadores de diferentes países interessados em ampliar o intercâmbio entre produções ibero-americanas sob a perspectiva das mulheres.

Curta mineiro aborda inclusão e resistência

Lapso foi apresentado ao público na sexta-feira (18). O filme retrata a periferia de Belo Horizonte a partir de personagens e situações ligadas à juventude negra e surda. A obra aborda temas como inclusão, solidariedade e resistência, questões que atravessam o cotidiano de grupos historicamente sub-representados no cinema e em outros espaços de produção cultural.

Além de sua circulação internacional, o curta chega ao festival uruguaio com um reconhecimento obtido no próprio estado. A produção foi vencedora da Mostra de Cinema de Fama em 2025, evento realizado em Fama, no Sul de Minas. A conquista ajudou a inserir o trabalho no circuito de festivais e reforçou a importância de iniciativas que apresentam filmes produzidos fora dos grandes centros tradicionais do audiovisual brasileiro.

A presença de Lapso em Punta del Este também amplia a visibilidade de uma produção que combina representação racial, acessibilidade e território. No cinema, a escolha do espaço onde uma história se passa não é apenas uma referência geográfica: ela ajuda a definir os conflitos, os personagens e a forma como determinadas comunidades são mostradas. Ao colocar a periferia de Belo Horizonte no centro da narrativa, o filme contribui para deslocar o olhar de representações concentradas em áreas mais conhecidas e em grupos já valorizados pelo mercado.

Debate reuniu brasileiras e produtora uruguaia

Depois da exibição, a comitiva brasileira participou de um painel com a produtora uruguaia Fabiola Gatti. A mesa, intitulada “Do território à tela: Mulheres, cinema e diversidade”, discutiu a descentralização das produções audiovisuais e a atuação das mulheres no setor.

O debate tratou de um desafio comum a muitas realizadoras: fazer com que filmes produzidos no interior ou em regiões periféricas tenham acesso a festivais, redes profissionais, recursos e público. A concentração da produção audiovisual em grandes capitais costuma dificultar a circulação de obras de outras localidades. Por isso, festivais e projetos de intercâmbio funcionam como pontos de encontro entre cineastas, produtoras, gestoras culturais, curadoras e instituições de diferentes países.

A discussão também defendeu a ampliação da presença de realizadoras do interior mineiro no circuito latino-americano. A proposta inclui não apenas a exibição de filmes já concluídos, mas a criação de redes permanentes de trabalho, gestão e curadoria. Na prática, essas conexões podem facilitar futuras parcerias, coproduções e novas oportunidades para profissionais que nem sempre têm acesso aos principais centros de decisão do mercado audiovisual.

Quem participou da delegação mineira

A comitiva brasileira foi formada por três profissionais ligadas ao cinema e à produção cultural:

  • Carol Cavalcanti, diretora do curta-metragem Lapso;
  • Aryanne Ribeiro, gestora audiovisual e diretora da Mostra de Cinema de Fama;
  • Mônica Trigo, consultora.

Aryanne Ribeiro destacou, durante a atividade, a importância de incluir no circuito internacional filmes feitos em regiões periféricas e no interior. A avaliação é que a circulação dessas obras ajuda a diversificar a produção exibida em festivais e a abrir espaço para outras formas de narrar o Brasil, além das perspectivas concentradas nos grandes polos culturais.

Projeto tem apoio do Fundo Estadual de Cultura

A participação no Uruguai faz parte do projeto “Minas Gerais em Internacionalização: a Mostra de Cinema de Fama circulando no Uruguai”. A iniciativa é viabilizada com apoio do Governo de Minas Gerais, por meio do Fundo Estadual de Cultura (FEC).

O FEC é um mecanismo público de incentivo à cultura. Por meio dele, projetos culturais podem receber apoio para ações como produção, formação, circulação e difusão de obras. No caso da iniciativa mineira, o recurso está relacionado à internacionalização da Mostra de Cinema de Fama e à presença de produções do estado em uma programação fora do Brasil.

Esse tipo de apoio tem impacto direto na cadeia cultural. A participação em um festival internacional envolve despesas de deslocamento, organização, comunicação, articulação institucional e acompanhamento das atividades. Sem financiamento, essas etapas podem ficar restritas a produtoras e artistas com maior capacidade própria de investimento. O incentivo público, portanto, ajuda a reduzir barreiras e a ampliar a diversidade de profissionais e obras presentes nesses espaços.

Exibições ocorreram em espaços culturais de Punta del Este

As sessões do CineFem foram realizadas em espaços culturais de Punta del Este, entre eles a Sala Benito Stern. A cidade uruguaia recebeu realizadores de diferentes países em uma programação voltada ao cinema feito por mulheres e ao intercâmbio entre produções ibero-americanas.

Para o cinema mineiro, a participação representa uma oportunidade de apresentar uma obra produzida no estado a um público estrangeiro e de criar contatos para novas ações. Para os espectadores, significa conhecer uma produção que trata de inclusão, juventude negra, surdez e vida periférica a partir de uma perspectiva construída em Minas Gerais.

A presença de Lapso no festival também reforça a importância de políticas de circulação cultural. Produzir um filme é apenas uma das etapas do audiovisual. Depois da conclusão, a obra precisa alcançar salas, mostras, festivais e diferentes públicos. Quando essa circulação ultrapassa as fronteiras nacionais, o filme passa a integrar debates mais amplos sobre diversidade, representação e participação das mulheres na indústria cultural.

Ao reunir exibição, debate e articulação profissional, a passagem da delegação mineira pelo Uruguai combinou divulgação de uma obra específica com uma discussão maior sobre quem produz cinema, de onde essas histórias vêm e quais caminhos podem garantir maior presença de mulheres, realizadores negros, pessoas surdas e profissionais do interior nos circuitos nacional e internacional.

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