A UiPath, empresa de tecnologia listada na Bolsa de Nova York sob o código NYSE: PATH, lançou o Cartographer, solução criada para organizar e representar como os processos de uma empresa realmente funcionam. A ferramenta gera o chamado Map of Work, um mapa vivo e governado que reúne informações espalhadas por documentos, sistemas corporativos e conversas de trabalho.
Na prática, a proposta é transformar o conhecimento operacional das equipes em uma referência central para áreas de negócios e tecnologia da informação. Esse conhecimento inclui não apenas as etapas formais previstas nos procedimentos, mas também as regras, exceções e decisões de julgamento tomadas pelos profissionais durante a execução das atividades.
O que é o Map of Work
O Map of Work funciona como uma representação atualizada dos processos empresariais. Em vez de registrar somente o fluxo ideal desenhado em um manual, o modelo busca mostrar também como o trabalho ocorre no dia a dia, incluindo desvios, decisões e situações que normalmente ficam restritas à experiência dos funcionários.
Esse tipo de informação costuma estar distribuído em diferentes fontes: documentos internos, sistemas de gestão, mensagens, registros de atendimento e conhecimento acumulado por especialistas. Quando não é consolidado, o conteúdo pode se perder com a troca de funcionários, dificultar projetos de automação e aumentar a dependência de entrevistas para entender cada atividade.
Segundo a UiPath, o Cartographer reduz a necessidade de entrevistas e da elaboração manual de documentos ao reunir esses elementos em um modelo centralizado. A ferramenta também permite que equipes de negócios e de tecnologia consultem uma única fonte de referência, com alterações aprovadas por um responsável designado.
Como a solução apoia automação e inteligência artificial
A partir do mapa criado, o Cartographer gera documentos de projeto e especificações técnicas. Esses materiais podem ser usados na criação de agentes, fluxos de trabalho e automações dentro da UiPath Platform, plataforma da empresa voltada à automação de processos.
A lógica é aproximar o desenho dos processos da execução tecnológica. Antes de uma automação ser criada, é necessário entender quais tarefas devem ser realizadas, quais regras precisam ser seguidas e em que situações um funcionário precisa analisar o caso. Ao registrar também as exceções e os julgamentos humanos, a empresa pretende oferecer uma base mais completa para automações e aplicações de inteligência artificial.
O sistema prevê ainda um mecanismo de controle para as decisões registradas. Cada decisão de julgamento pode ser apresentada como uma proposta de mudança no mapa. A alteração precisa ser aprovada ou rejeitada, o que evita que modificações feitas durante a operação sejam incorporadas automaticamente ao modelo oficial.
Três formas de criar mapas de processos
O Cartographer oferece três modalidades de uso, voltadas a diferentes níveis de padronização e complexidade:
- Prebuilt Maps: modelos prontos para processos comuns, como concessão de crédito e análise de sinistros;
- Process Atlas: uma biblioteca de mapas detalhados para processos complexos, com indicadores-chave de desempenho, conhecidos pela sigla KPI, e referências de comparação;
- Build Your Own: opção para empresas que precisam capturar processos próprios, especialmente em operações altamente reguladas ou com regras específicas.
Os modelos prontos podem acelerar o início de projetos em atividades recorrentes. Já a biblioteca de processos complexos oferece uma base de consulta para organizações que precisam avaliar desempenho e comparar práticas. A modalidade personalizada atende situações nas quais os procedimentos internos não podem ser representados adequadamente por um modelo genérico.
Governança e ciclo de melhoria contínua
Depois que os mapas são criados, agentes e automações podem ser coordenados pelo UiPath Maestro. A ferramenta é apresentada como parte da estrutura de orquestração das atividades automatizadas, ajudando a organizar a interação entre diferentes fluxos, agentes e etapas dos processos.
Outro componente citado pela empresa é o Decision Ledger, responsável por registrar decisões e devolvê-las ao mapa de trabalho. Com isso, o processo passa a operar em um ciclo de melhoria contínua: as atividades são executadas, as decisões são registradas, as informações retornam ao modelo e as mudanças podem ser avaliadas e aprovadas.
Esse mecanismo é especialmente relevante em ambientes nos quais as regras mudam com frequência ou nos quais as decisões dependem de análise humana. O registro permite manter uma trilha das alterações e separar o que foi oficialmente incorporado ao processo daquilo que ainda está em avaliação.
Impacto para empresas que adotam automação
Para as empresas, o principal impacto potencial está na organização do conhecimento necessário para automatizar processos com mais controle. Muitas iniciativas começam com documentos incompletos ou dependem de profissionais que conhecem detalhes não registrados formalmente. Ao reunir essas informações, a solução busca diminuir a distância entre a maneira como o processo foi projetado e como ele é executado.
A abordagem também pode ajudar a identificar pontos de decisão, tarefas repetitivas e situações que exigem intervenção humana. Isso é importante porque uma automação baseada apenas no fluxo ideal pode falhar quando encontra exceções. Da mesma forma, sistemas de inteligência artificial precisam de contexto para interpretar corretamente regras e encaminhar casos fora do padrão.
O modelo proposto não elimina a necessidade de supervisão. A própria estrutura do Cartographer prevê responsáveis pela aprovação das mudanças e mecanismos para rejeitar alterações. Dessa forma, a governança continua sendo uma etapa necessária antes que uma nova regra ou decisão passe a orientar agentes e automações.
Declaração do CEO da UiPath
“Durante anos, as empresas digitalizaram seus dados sem registrar o contexto de como são usados no trabalho. O Map of Work transforma essa lacuna em algo concreto, mostrando tanto o desenho esperado quanto a execução real, com exceções e julgamentos incluídos”, afirmou Daniel Dines, fundador e CEO da UiPath.
A declaração resume a diferença entre registrar apenas dados e documentar o contexto operacional. Para a companhia, o mapa deve servir como uma ponte entre os processos definidos pela organização e as decisões tomadas na rotina por quem executa o trabalho.
Disponibilidade do Cartographer
O Cartographer já está disponível para clientes da UiPath. A solução integra a estratégia da empresa de combinar automação de processos, inteligência artificial, agentes digitais e mecanismos de governança em uma mesma estrutura.
Para os usuários, a adoção envolve mais do que instalar uma nova ferramenta. É necessário definir quais processos serão mapeados, quem poderá aprovar mudanças e como as decisões registradas serão incorporadas aos fluxos de trabalho. O resultado dependerá da qualidade das informações disponíveis e da participação das áreas que conhecem a operação.