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Pesquisa brasileira identifica oito exoplanetas com características favoráveis à vida

Redação Saiu Agora
19 de setembro de 2026 às 10:33
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Um levantamento conduzido por um pesquisador brasileiro identificou oito exoplanetas — planetas que orbitam estrelas fora do Sistema Solar — com características que podem favorecer a existência de água em estado líquido e, em consequência, condições compatíveis com o desenvolvimento de vida. O estudo foi realizado por Fábio Calabrio Evangelista da Silva, sob orientação do professor Marcelo Borges Fernandes, do Observatório Nacional.

A pesquisa analisou dados de mais de 6 mil exoplanetas já descobertos, reunidos em um banco de informações da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos. O objetivo não foi encontrar provas de vida extraterrestre, mas selecionar mundos que, pelas características conhecidas, apresentam maior semelhança com a Terra.

Como os oito exoplanetas foram selecionados

Para fazer a triagem, o pesquisador examinou diferentes informações sobre cada planeta. Entre os critérios avaliados estão o raio, a densidade e a distância em relação à estrela que o planeta orbita. Esses dados ajudam os cientistas a estimar se o exoplaneta é rochoso, qual pode ser sua composição e se recebe uma quantidade de energia compatível com a presença de água líquida.

O estudo também considerou se os planetas estão na chamada zona de habitabilidade. Essa é a região ao redor de uma estrela onde as condições de temperatura podem permitir a existência de água no estado líquido na superfície de um planeta. Se o corpo estiver muito perto da estrela, a temperatura tende a ser elevada demais. Se estiver muito distante, pode ser frio a ponto de a água permanecer congelada.

“A zona de habitabilidade é uma zona que possibilita a água líquida porque não é nem tão quente, mais próximo da estrela, e nem tão frio, para longe da estrela. Então é a zona perfeita. A gente chama de Goldilocks Zone, a Zona dos Cachinhos Dourados”, explica Silva.

Além da distância em relação à estrela

A posição do planeta em sua órbita, no entanto, não é o único fator considerado. Na etapa final, Silva estimou características da atmosfera, além da pressão e da temperatura na superfície. Essa avaliação permitiu comparar os candidatos com o único planeta conhecido onde existe vida: a Terra.

  • Raio: ajuda a indicar o tamanho do planeta;
  • Densidade: contribui para estimar se o corpo tem composição rochosa ou gasosa;
  • Distância da estrela: permite verificar a possibilidade de o planeta estar na zona de habitabilidade;
  • Atmosfera, pressão e temperatura: ajudam a avaliar se o ambiente pode manter água líquida.

“A Terra é o único exemplo que a gente vai ter, por enquanto, para se definir vida, para se definir quais são as características necessárias para se ter água líquida”, afirma o pesquisador.

GJ 1002b é o planeta mais parecido com a Terra

Entre os oito exoplanetas selecionados, o GJ 1002b foi apontado como o mais semelhante à Terra, com 98% de similaridade segundo a pesquisa. O planeta foi descoberto em 2022 e está a aproximadamente 16 anos-luz do nosso planeta. Isso significa que a luz leva 16 anos para percorrer a distância entre os dois mundos.

O GJ 1002b orbita uma estrela anã-vermelha, também classificada como estrela do tipo M. Esse tipo de estrela é mais frio que o Sol. Por estar muito mais próximo da sua estrela, o exoplaneta completa uma volta ao redor dela em apenas 10 dias.

A distância de 16 anos-luz pode parecer pequena em escala astronômica, mas ainda representa um intervalo enorme para os padrões das viagens espaciais atuais. A identificação do planeta, portanto, não significa que uma missão até ele esteja disponível ou planejada. O principal valor da pesquisa é indicar quais alvos podem ser mais interessantes para observações futuras, especialmente com instrumentos capazes de investigar atmosferas.

Pesquisa não confirma a existência de vida

A presença na zona de habitabilidade e a semelhança com a Terra não são suficientes para afirmar que um planeta é habitado. A água líquida é considerada um dos elementos importantes para a vida como ela é conhecida, mas ainda seria necessário obter informações mais detalhadas sobre a atmosfera, a superfície, a composição química e a estabilidade do ambiente.

Além disso, a busca científica costuma partir do modelo terrestre porque a Terra é o único exemplo confirmado de planeta com vida. Isso não significa que todas as formas de vida do Universo precisem seguir os mesmos padrões.

“A gente está buscando um planeta que tenha condições similares à Terra. Mas isso não quer dizer que seja o único lugar possível de ter vida no universo, porque podem existir outras formas de vida que a gente ainda não conheça e que precisem de características químico-físicas diferentes”, ressalta Silva.

Estudo foi apresentado em evento de astrobiologia

O trabalho foi apresentado nesta semana durante a 6ª edição do Astrobion, evento dedicado à astrobiologia e organizado pelo Observatório Nacional, no Rio de Janeiro. A astrobiologia reúne conhecimentos de áreas como astronomia, física, química, geologia e biologia para investigar como a vida pode surgir, sobreviver e evoluir em diferentes ambientes do Universo.

A análise dos oito exoplanetas representa uma etapa de seleção. A partir dela, os objetos considerados mais promissores podem ser estudados com maior profundidade por observatórios e telescópios. Os resultados também ajudam a organizar a enorme quantidade de informações produzidas pela descoberta de novos planetas fora do Sistema Solar.

Para o público de Alfenas e do Sul de Minas, o estudo mostra como pesquisas desenvolvidas por cientistas brasileiros participam de uma investigação que envolve dados internacionais e uma das principais questões da ciência: saber se a vida existe somente na Terra ou se pode ter surgido em outros lugares. Por enquanto, a resposta continua em aberto. O que a pesquisa oferece são novos candidatos e critérios mais precisos para continuar a procura.

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