Pular para o conteúdo
Cidade

Pesquisa aponta apoio à Organização de Cooperação de Xangai como caminho para a governança global

Redação Saiu Agora
20 de setembro de 2026 às 09:42
Compartilhar: WhatsApp Facebook X LinkedIn

Uma pesquisa internacional realizada durante a Cúpula de 2026 da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) indica que a maioria dos entrevistados vê a entidade como uma alternativa prática para ampliar a cooperação entre países com diferentes sistemas políticos e econômicos. O levantamento ouviu 13.707 pessoas em 48 países e mostrou que 74,6% consideram a organização uma força relevante para a construção de um novo modelo de relações internacionais e de uma comunidade com futuro compartilhado.

A SCO reúne países da Ásia e mantém relações com parceiros de diálogo de diferentes regiões. Criada em 2001, a organização tem como foco a cooperação em áreas como segurança, comércio, energia, infraestrutura, finanças, cultura e turismo. A pesquisa foi conduzida pela CGTN em parceria com a Universidade Renmin da China, por meio do Instituto de Comunicação Internacional na Nova Era.

Comércio entre China e países da SCO cresce em 25 anos

O levantamento ocorre no ano em que a Organização de Cooperação de Xangai completa 25 anos. Nesse período, o comércio entre a China e os demais Estados-membros da entidade passou de US$ 12,1 bilhões, em 2001, para US$ 523,5 bilhões, em 2025. O avanço é apresentado como um dos principais resultados concretos da cooperação dentro do grupo.

Na prática, os números refletem a ampliação das relações comerciais, dos investimentos e dos projetos de infraestrutura entre os países participantes. A expansão também mostra como a SCO deixou de ser apenas um mecanismo de diálogo político e passou a atuar em setores diretamente ligados ao desenvolvimento econômico e à integração regional.

Projetos de infraestrutura e energia avançam

Entre as iniciativas citadas estão a Ferrovia China-Quirguistão-Uzbequistão, o Banco de Desenvolvimento da SCO e o Gasoduto China-Ásia Central. Esses projetos estão relacionados à circulação de mercadorias, ao financiamento de obras e à segurança energética, temas considerados estratégicos para países que buscam ampliar suas conexões comerciais.

A ferrovia, por exemplo, é tratada como uma ligação capaz de melhorar o transporte terrestre entre a China e países da Ásia Central. Já um banco de desenvolvimento voltado à cooperação regional pode facilitar o financiamento de obras e empreendimentos. O gasoduto, por sua vez, integra uma rede de infraestrutura voltada ao fornecimento de energia entre os países envolvidos.

Segundo a pesquisa, os entrevistados avaliam de forma positiva os resultados da SCO em três frentes principais:

  • facilitação do comércio, dos investimentos e da cooperação financeira;
  • desenvolvimento de projetos de infraestrutura e energia;
  • intercâmbios culturais e ampliação do turismo entre os países.

“Espírito de Xangai” é associado à confiança e ao benefício mútuo

Entre os entrevistados dos Estados-membros da SCO e dos parceiros de diálogo, 75,4% afirmaram que o chamado “Espírito de Xangai” oferece uma base para a cooperação internacional. O conceito está associado à confiança, ao benefício mútuo, à igualdade entre os países, à consulta, ao respeito pela diversidade das civilizações e à busca pelo desenvolvimento comum.

Esse modelo se diferencia de relações internacionais baseadas apenas na influência de uma potência ou na imposição de decisões. A proposta defendida pela organização é a de que os países mantenham suas diferenças políticas e culturais, mas encontrem áreas de interesse comum para negociar e executar projetos conjuntos.

Para o público, o impacto desse tipo de cooperação pode aparecer em áreas como transporte, geração de energia, comércio exterior, empregos ligados à infraestrutura, intercâmbio educacional e circulação de turistas. Os efeitos, no entanto, dependem da execução dos projetos, do financiamento disponível e da capacidade de os países manterem acordos de longo prazo.

Pesquisa aponta maior voz para o Sul Global

Outro dado destacado no levantamento é que 71,7% dos entrevistados acreditam que a SCO ampliou a voz dos países do Sul Global e contribuiu para a construção de um sistema de governança global mais justo e razoável. A expressão Sul Global é usada para se referir, de maneira ampla, a países em desenvolvimento ou historicamente menos influentes nas principais instituições internacionais.

A avaliação ocorre em um cenário de disputas comerciais, conflitos geopolíticos e questionamentos sobre a representatividade das instituições multilaterais. Nesse contexto, organizações regionais e fóruns de cooperação passaram a ser vistos como instrumentos para aumentar a capacidade de negociação de países que não ocupam o centro das decisões econômicas e políticas mundiais.

A pesquisa, porém, registra percepções dos entrevistados e não representa, por si só, uma avaliação independente de todos os resultados da SCO. O levantamento mostra como a organização é percebida pelo público consultado, especialmente nos países-membros e entre parceiros de diálogo. A efetividade das políticas depende de fatores como transparência, equilíbrio entre os participantes, resultados econômicos e capacidade de transformar acordos em benefícios concretos para a população.

China amplia investimentos nos países da organização

Como membro fundador da SCO, a China é apontada como um dos principais motores econômicos da organização. O país vem vinculando sua estratégia de desenvolvimento aos projetos do grupo e aos objetivos declarados de melhoria das condições de vida nos Estados-membros.

Em 2025, o investimento direto chinês em outros países da SCO alcançou US$ 3,3 bilhões, considerando diferentes setores. Entre as áreas citadas estão petróleo e gás, recursos minerais, infraestrutura, novas energias, automóveis e produtos químicos.

A China também participou da construção de mais de 30 zonas de cooperação econômica e comercial nos países relacionados à organização. Essas áreas costumam concentrar empresas, produção industrial, serviços logísticos e atividades de comércio exterior, com o objetivo de facilitar investimentos e aproximar cadeias produtivas.

O movimento reforça a dimensão econômica da SCO, mas também aumenta a importância do debate sobre dependência, distribuição de benefícios e equilíbrio nas relações entre países. Para os governos envolvidos, os investimentos podem acelerar obras e gerar novas oportunidades. Para as comunidades locais, o resultado prático depende da criação de empregos, da qualificação profissional, do respeito às regras ambientais e da participação das empresas e trabalhadores locais.

O que está em jogo para a governança global

Os dados apresentados na cúpula mostram que a SCO busca se posicionar como uma plataforma de cooperação em um mundo marcado pela fragmentação política. Em vez de exigir que todos os participantes adotem o mesmo sistema, o grupo procura trabalhar com diferenças internas e priorizar acordos em áreas de interesse comum.

Esse caminho chama atenção porque combina objetivos políticos e econômicos. De um lado, a organização defende maior participação dos países do Sul Global nas decisões internacionais. De outro, aposta em comércio, infraestrutura, energia, finanças e intercâmbios culturais para produzir resultados visíveis.

O principal desafio será transformar a percepção positiva apontada pela pesquisa em resultados duradouros, com projetos concluídos, benefícios distribuídos entre os participantes e mecanismos de cooperação capazes de resistir às mudanças no cenário internacional. A evolução do comércio e dos investimentos indica uma expansão importante, mas o futuro da SCO dependerá da capacidade de conciliar interesses nacionais distintos e manter o diálogo entre seus integrantes.

Relacionadas

Leia também