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Perdas de água e qualidade das obras desafiam expansão do saneamento no Brasil

Redação Saiu Agora
21 de setembro de 2026 às 20:01
Perdas de água e qualidade das obras desafiam expansão do saneamento no Brasil
Foto: Divulgação
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O Brasil precisa investir cerca de R$ 431 bilhões para universalizar os serviços de saneamento até 2033, mas o avanço das obras depende não apenas da ampliação das redes. A qualidade dos materiais, a durabilidade das tubulações e a redução de vazamentos serão decisivas para transformar os recursos aplicados em serviços eficientes para a população.

Seis anos após a aprovação do Marco Legal do Saneamento Básico, o país entrou em uma nova fase de expansão dos investimentos no setor. A legislação estabeleceu metas para ampliar o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário, além de estimular a participação de empresas públicas e privadas na prestação dos serviços.

De acordo com estudo do Instituto Trata Brasil, realizado em parceria com a GO Associados, 39,53% da água tratada foi perdida na distribuição em 2024. O índice inclui perdas provocadas por vazamentos, falhas na medição, ligações irregulares e problemas na operação das redes. Na prática, é água que foi tratada, gerou custos para o sistema, mas não chegou ao consumidor.

Redução das perdas poderia gerar economia bilionária

O levantamento estima que a redução das perdas para 25% permitiria economizar 2,8 bilhões de metros cúbicos de água por ano. O ganho financeiro projetado chegaria a aproximadamente R$ 47,3 bilhões até 2033.

A diferença entre os dois índices mostra por que o combate ao desperdício é tratado como uma das prioridades do saneamento. Antes de buscar somente novas fontes de abastecimento ou construir mais estações, os operadores precisam garantir que a água produzida seja distribuída com o menor desperdício possível.

  • 39,53% da água tratada foi perdida na distribuição em 2024;
  • A meta considerada no estudo é reduzir o índice para 25%;
  • A economia potencial é de 2,8 bilhões de metros cúbicos de água por ano;
  • O ganho estimado pode chegar a R$ 47,3 bilhões até 2033.

Metas do Marco Legal do Saneamento

O Marco Legal prevê que, até 2033, 99% da população tenha acesso à água potável e 90% tenha coleta e tratamento de esgoto. Esses objetivos exigem a construção e a modernização de sistemas em cidades de diferentes portes e regiões, muitas delas com redes antigas, dificuldades de relevo e limitações financeiras.

Entre 2020 e 2024, os investimentos em saneamento somaram R$ 112,6 bilhões, segundo o estudo. Ainda assim, o ritmo precisa ser mantido e ampliado: para alcançar as metas de universalização, o setor deverá investir aproximadamente R$ 48 bilhões por ano.

Universalizar o saneamento significa levar água tratada, coleta e tratamento de esgoto a praticamente toda a população. O impacto esperado vai além da infraestrutura. Serviços adequados reduzem a exposição a doenças, melhoram as condições ambientais, valorizam áreas urbanas e contribuem para a qualidade de vida, especialmente em comunidades que ainda dependem de soluções precárias.

Durabilidade deve ser considerada desde o projeto

Para Francisco Carlos Jorge Colnaghi, vice-presidente do Conselho de Administração da Colpar Brasil, o debate precisa considerar o desempenho das estruturas depois da entrega das obras.

“Se o país vai investir centenas de bilhões de reais em saneamento até 2033, precisamos garantir que esses recursos resultem em infraestrutura eficiente, duradoura e capaz de entregar desempenho ao longo de toda a sua vida útil. Não basta construir mais redes; é preciso construir redes que funcionem bem por décadas”, afirma.

A avaliação envolve o chamado custo do ciclo de vida. Em vez de considerar apenas o valor gasto na construção, esse conceito leva em conta despesas futuras com manutenção, reparos, substituição de peças, consumo de energia e perdas provocadas por falhas no sistema.

Uma tubulação mais barata, mas que apresente rompimentos frequentes, pode gerar custos superiores ao longo dos anos. Além do gasto direto com consertos, cada vazamento pode interromper o abastecimento, danificar ruas e calçadas, provocar desperdício de água e afetar o trânsito e a rotina dos moradores.

Materiais e projetos precisam considerar cada região

A escolha dos materiais e o desenho das redes devem levar em conta as características de cada localidade. O tipo de solo, as condições climáticas, a topografia, a pressão da água, o tráfego sobre as vias e a expansão urbana influenciam o desempenho das tubulações.

Também são importantes a qualidade da instalação, a fiscalização da obra e a manutenção preventiva. Quando esses fatores são negligenciados, a rede pode começar a apresentar problemas antes do fim da vida útil prevista. Por isso, a redução das perdas depende tanto de investimentos quanto de planejamento, controle operacional e acompanhamento permanente.

O uso de equipamentos para localizar vazamentos, a atualização dos sistemas de medição e o monitoramento da pressão são algumas das medidas que podem ajudar as empresas a identificar perdas e agir antes que os problemas se agravem. A eficiência, nesse caso, não está apenas na quantidade de quilômetros de rede construídos, mas na capacidade de manter o sistema funcionando de forma contínua.

Desafio é transformar investimento em serviço confiável

O volume de recursos previsto para o saneamento cria uma oportunidade para reduzir desigualdades históricas no acesso à água e ao esgoto. No entanto, o resultado dependerá da combinação entre expansão, qualidade técnica e gestão eficiente.

Obras entregues rapidamente, mas com materiais inadequados ou baixa capacidade de manutenção, podem comprometer as metas no médio e no longo prazo. Já uma infraestrutura planejada para durar tende a diminuir interrupções, desperdícios e custos de operação, além de oferecer mais segurança para os usuários.

O desafio colocado para o setor, portanto, é duplo: ampliar o atendimento até 2033 e assegurar que as redes construídas permaneçam eficientes por muitas décadas. A universalização do saneamento não será medida apenas pelo número de obras inauguradas, mas pela água que chega às casas, pelo esgoto que é coletado e tratado e pela capacidade dos sistemas de continuar funcionando ao longo do tempo.

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