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Mulheres protestam em Brasília contra feminicídios e violência de gênero

Redação Saiu Agora
08 de março de 2026 às 19:22
Mulheres protestam em Brasília contra feminicídios e violência de gênero
Foto: Divulgação
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Centenas de pessoas foram às ruas de Brasília no domingo (8), Dia Internacional da Mulher, para denunciar a violência de gênero e cobrar medidas concretas contra os feminicídios no Brasil. Com cartazes escritos “Parem de nos matar”, manifestantes se reuniram nas proximidades da Torre de TV, na região central da capital federal.

O ato reuniu grupos musicais, partidos políticos, sindicatos e coletivos feministas. A manifestação teve como principal foco o número de mulheres assassinadas por razões relacionadas à condição de gênero, mas também incorporou reivindicações trabalhistas, críticas ao governo do Distrito Federal e posicionamentos sobre temas da política internacional.

Feminicídio foi principal pauta do protesto em Brasília

Dados compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025. O número representa um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Feminicídio é o assassinato de uma mulher motivado por violência doméstica e familiar ou por menosprezo e discriminação à condição feminina.

Na prática, o crime costuma ocorrer em um contexto de agressões anteriores, ameaças, controle, perseguição ou outras formas de violência. Por isso, entidades que atuam na defesa das mulheres defendem não apenas a punição dos autores, mas também o fortalecimento da prevenção, da rede de atendimento e dos mecanismos de proteção para vítimas e sobreviventes.

A artista plástica Daniela Iguizzi, de 55 anos, participou da mobilização com a obra Medo, que mostra um revólver apontado contra uma mulher. Para ela, a violência faz com que as brasileiras convivam com a sensação permanente de insegurança.

“A mulher não tem um minuto de paz. Ela não tem sossego no seu lar. Ela não tem sossego no seu trabalho. Em todos os lugares nós podemos ser assediadas, podemos ser assassinadas. Por isso, o nome dessa obra é medo. Medo é o que toda mulher brasileira sente”, afirmou.

Movimento cobra execução do Pacto Nacional contra o Feminicídio

Raquel Braga Rodríguez, coordenadora do grupo de maracatu Baque Mulher Brasília, afirmou que os feminicídios estão entre as principais preocupações das mulheres brasileiras. Ela defendeu que o Pacto Nacional contra o Feminicídio, lançado pelo governo, seja efetivamente colocado em prática.

“O governo lançou esse Pacto Nacional contra o Feminicídio e a gente gostaria muito que essa política pública fosse realmente colocada em prática, que a gente visse resultado na redução desses números”, disse Raquel.

Um pacto nacional desse tipo envolve a articulação entre diferentes áreas do poder público, como segurança, Justiça, saúde, assistência social e educação. O objetivo é integrar ações que muitas vezes funcionam de forma isolada, desde o atendimento inicial à vítima até a investigação e a responsabilização do agressor. Para os movimentos de mulheres, o principal desafio é transformar o anúncio de políticas públicas em serviços acessíveis e resultados mensuráveis.

No início de fevereiro, os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário também anunciaram um pacto conjunto relacionado ao enfrentamento do feminicídio. A participação dos três Poderes indica uma tentativa de ampliar a coordenação institucional sobre o tema, que depende tanto de políticas públicas quanto de mudanças na legislação, na atuação policial e no atendimento às vítimas.

Fim da escala 6x1 também foi defendido

Além da violência, o protesto em Brasília pediu o fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias e tem apenas um dia de descanso. A reivindicação foi apresentada como uma medida especialmente importante para as mulheres, que ainda concentram grande parte do trabalho doméstico e dos cuidados com filhos, idosos e outros familiares.

Essa sobreposição é conhecida como dupla jornada: a mulher cumpre suas atividades profissionais e, depois, continua responsável por tarefas não remuneradas dentro de casa. Em uma rotina com seis dias consecutivos de trabalho, o tempo disponível para descanso, convivência familiar, estudo e cuidados pessoais fica ainda mais reduzido.

  • A escala 6x1 foi criticada por ampliar o desgaste físico e emocional dos trabalhadores;
  • As manifestantes relacionaram o modelo à sobrecarga das mulheres dentro e fora do mercado de trabalho;
  • O fim da escala foi apresentado como parte de uma agenda de direitos trabalhistas e qualidade de vida.

Governo do Distrito Federal e Banco Master entram nas críticas

O governo do Distrito Federal, comandado por Ibaneis Rocha, também foi alvo de críticas durante a manifestação. Os participantes lembraram a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), instituição financeira estatal do Distrito Federal.

O BRB é um banco público ligado ao governo distrital e atua em operações financeiras, crédito e serviços bancários. A menção ao negócio no protesto mostra que a mobilização não ficou restrita às pautas específicas das mulheres: os grupos também levaram para a rua cobranças sobre decisões administrativas, uso de recursos públicos e transparência na gestão.

A inclusão do tema econômico e político na marcha segue uma característica histórica dos atos do Dia Internacional da Mulher, que costumam reunir reivindicações relacionadas à segurança, ao trabalho, à renda, à saúde, à representação política e ao combate às desigualdades.

Manifestantes criticam ações dos Estados Unidos e Israel

A pauta internacional também esteve presente em cartazes e falas. Os participantes denunciaram o que classificaram como imperialismo e criticaram ações dos Estados Unidos no Irã, em Cuba e na Venezuela. A atuação de Israel na Palestina também foi mencionada durante a marcha.

O uso do termo imperialismo, nesse contexto, expressa a crítica a intervenções políticas, econômicas ou militares de grandes potências sobre outros países. Para os coletivos que participaram do ato, a defesa dos direitos das mulheres está ligada à oposição a guerras, ocupações e violações de direitos humanos em diferentes partes do mundo.

Com a combinação de pautas nacionais, locais e internacionais, a manifestação de Brasília transformou o Dia Internacional da Mulher em um ato de denúncia e cobrança. O recado central, porém, permaneceu concentrado na violência de gênero: diante do crescimento dos feminicídios, os movimentos querem que pactos e programas anunciados pelo poder público produzam proteção efetiva e redução das mortes.

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