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Mercado funerário pet cresce com novas formas de despedida para cães e gatos

Redação Saiu Agora
28 de setembro de 2026 às 21:58
Mercado funerário pet cresce com novas formas de despedida para cães e gatos
Foto: Divulgação
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A mudança na relação dos brasileiros com os animais de estimação está transformando também a forma como as famílias lidam com a morte de cães e gatos. Com os pets cada vez mais integrados à rotina doméstica, cresce a procura por cremação individual, cerimônias de homenagem e planos funerários específicos para animais.

O movimento acompanha a expansão das chamadas famílias multiespécies, formadas por pessoas que consideram cães e gatos integrantes do núcleo familiar. O perfil inclui casais sem filhos, moradores que vivem sozinhos e tutores que passaram a organizar a vida doméstica em torno dos animais.

Para esse público, a despedida deixou de ser vista apenas como uma questão prática. O funeral passou a ser associado à memória, ao afeto e ao encerramento de um ciclo. A busca por serviços especializados ocorre, em muitos casos, depois de anos de investimentos em alimentação, consultas veterinárias, tratamentos, conforto e bem-estar.

Cremação individual e cerimônias ganham espaço

Entre as alternativas oferecidas pelo setor estão a cremação individual, a realização de cerimônias de homenagem e os planos de assistência funerária. Os serviços procuram atender a uma demanda semelhante à existente no mercado funerário humano: oferecer organização, acolhimento e opções para que a família possa se despedir de maneira planejada.

“Quando falamos sobre serviços funerários pet, não estamos tratando apenas de um novo mercado. Estamos falando de pessoas que desejam encerrar um ciclo da mesma forma como viveram toda a relação com seus animais: com cuidado, afeto e respeito”, afirma Elisangela Minato, coordenadora do Colina Pet e Cerimonial do Grupo Colina.

Segundo a executiva, o comportamento dos tutores no momento da perda é consequência de uma mudança que começa muito antes. A maior disposição para investir em alimentação de qualidade, atendimento veterinário, conforto e cuidados preventivos reforça a percepção de que os animais ocupam um lugar central na família.

“Existe um sentimento de gratidão muito grande por parte dos tutores, que desejam preservar a memória de seus companheiros de maneira respeitosa e significativa”, destaca Elisangela.

Famílias tratam pets como integrantes da casa

Pesquisas recentes ajudam a dimensionar essa transformação. Levantamento citado pela U.S. News & World Report, divulgado em 2026, aponta que 30% dos tutores entrevistados afirmam gastar mais com os animais de estimação do que com a própria saúde. O mesmo estudo mostra que 37% dizem tratar os pets como “realeza mimada”.

Os números não significam que todos os tutores tenham o mesmo comportamento ou capacidade de consumo. Eles indicam, porém, que uma parcela relevante das famílias passou a enxergar os animais como dependentes que exigem atenção, recursos e planejamento. Essa mudança ajuda a explicar por que serviços antes pouco conhecidos passaram a ser procurados com mais frequência.

Também existe um aspecto emocional. A morte de um animal pode provocar sofrimento intenso, especialmente quando ele esteve presente durante muitos anos ou acompanhou fases importantes da vida do tutor. A possibilidade de realizar uma cerimônia, guardar as cinzas ou preservar objetos de memória pode ajudar algumas famílias a elaborar o luto.

O que pode ser contratado

  • Cremação individual, com possibilidade de preservar as cinzas do animal;
  • Cerimônias de homenagem e despedida;
  • Planos de assistência funerária para cães e gatos;
  • Serviços voltados à organização e ao acolhimento dos tutores no momento da perda.

As condições, os procedimentos e os valores variam conforme a empresa e o município. Antes da contratação, o tutor deve verificar quais serviços estão incluídos, como ocorre a identificação do animal, quais documentos são fornecidos e de que maneira as regras locais são cumpridas.

Lei em São Paulo amplia debate sobre sepultamento de animais

A discussão também chegou ao campo legislativo. Em 2026, o Governo do Estado de São Paulo sancionou a chamada Lei Bob Coveiro, que permite o sepultamento de cães e gatos em jazigos e campas pertencentes às famílias de seus tutores.

A autorização depende do cumprimento das regulamentações municipais. Na prática, isso significa que a possibilidade de sepultamento não elimina a necessidade de consultar as regras da cidade, dos cemitérios e dos órgãos responsáveis. Cada município pode estabelecer procedimentos próprios para a utilização de jazigos e campas.

A medida acompanha uma discussão mais ampla sobre o reconhecimento do vínculo entre pessoas e animais. Embora cães e gatos tenham regras específicas no ordenamento jurídico, a legislação e as políticas públicas passaram a considerar com mais atenção seu papel na vida familiar, além das responsabilidades de guarda, saúde e bem-estar.

Para os tutores, a mudança pode representar uma alternativa ao descarte inadequado do corpo do animal e oferecer um espaço de memória junto à família. Para o setor funerário, abre uma frente de serviços que exige transparência, respeito ao luto e cumprimento das normas sanitárias e municipais.

Mercado cresce, mas exige informação

A expansão dos serviços funerários pet ocorre em paralelo ao aumento dos gastos e das expectativas em relação à vida dos animais. O crescimento, no entanto, também reforça a necessidade de informação para evitar decisões tomadas sob pressão emocional.

Na hora de contratar, é importante pedir orçamento detalhado, confirmar se a cremação será individual ou coletiva, entender o destino das cinzas e verificar a documentação emitida ao final do procedimento. Quando houver intenção de sepultamento, a família deve consultar previamente o cemitério e a prefeitura sobre as exigências aplicáveis.

Mais do que uma nova atividade comercial, o mercado funerário pet revela uma transformação social: para muitas famílias brasileiras, a despedida de um cão ou gato passou a ser encarada como uma etapa que merece cuidado e planejamento. A tendência é que empresas, municípios e legisladores continuem sendo pressionados a oferecer regras claras e serviços compatíveis com essa nova realidade.

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