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Levantamento mostra que 82,7% das mulheres não se arrependem do divórcio

Redação Saiu Agora
25 de setembro de 2026 às 15:50
Levantamento mostra que 82,7% das mulheres não se arrependem do divórcio
Foto: Divulgação
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O fim de um casamento é uma decisão marcada por conflitos emocionais, dificuldades práticas e, em muitos casos, pela necessidade de reconstruir a própria vida. Um levantamento com 5.088 mulheres mostra que a maioria das participantes não se arrepende de ter se separado, embora o caminho até o divórcio envolva desvalorização, solidão, traições, preocupação com os filhos e dependência financeira.

De acordo com os dados, 82,7% das mulheres disseram não se arrepender da separação. Outras 11,1% afirmaram ter se arrependido, enquanto as demais ainda demonstram dúvidas sobre a decisão. A iniciativa do rompimento partiu das próprias participantes em 75,9% dos casos.

Os números foram reunidos pela plataforma Separações, voltada a conteúdos e experiências relacionadas ao término de relacionamentos e à reconstrução da vida. A consulta não tem metodologia de pesquisa científica e não pretende representar estatisticamente todas as mulheres brasileiras. Os resultados refletem o grupo que respondeu ao levantamento. Ainda assim, a base superior a 5 mil participantes permite observar percepções e dificuldades recorrentes dentro dessa comunidade.

Desvalorização e solidão aparecem antes do rompimento

Para muitas mulheres, a separação não começa no momento em que o pedido de divórcio é formalizado. Ela pode ser antecedida por um período prolongado de desgaste, dúvidas e tentativa de preservar uma relação que já não oferece segurança emocional.

Entre as participantes, 31,6% disseram que se sentiam principalmente desvalorizadas durante o relacionamento. Outras 19,6% relataram solidão. Os dados indicam que estar em uma relação não elimina necessariamente a sensação de isolamento, especialmente quando faltam diálogo, reconhecimento e apoio entre o casal.

A traição conjugal foi apontada por 30,8% das mulheres como a situação que mais provocou sofrimento. Em seguida, 21,4% citaram humilhações frequentes. Esses relatos ajudam a explicar por que o rompimento, para parte das participantes, aparece menos como uma decisão repentina e mais como o resultado de um processo acumulado de frustrações.

Filhos, dinheiro e expectativa de mudança dificultam a separação

Mesmo quando a relação é percebida como prejudicial, diversos fatores podem atrasar a decisão. O principal obstáculo apontado no levantamento foi a esperança de que o parceiro mudasse, mencionada por 29,7% das participantes.

  • 20,4% citaram os filhos como fator que dificultou a separação;
  • 15,5% mencionaram a dependência financeira;
  • 14,4% apontaram o julgamento da família ou da sociedade.

Esses elementos mostram que o divórcio não envolve apenas a decisão afetiva de encerrar uma convivência. Há também questões relacionadas à moradia, à renda, à criação dos filhos, à divisão de responsabilidades e à reação da rede familiar. Para algumas mulheres, permanecer no relacionamento pode parecer, por um período, a alternativa menos arriscada diante da falta de autonomia financeira ou do medo das consequências sociais.

A presença dos filhos também torna a decisão mais complexa. Além do vínculo emocional, a separação exige reorganizar rotinas, despesas, cuidados e responsabilidades parentais. Isso não significa que os filhos sejam a causa do problema, mas que a preocupação com seu bem-estar pode fazer com que a mulher adie uma decisão já considerada necessária.

Percepção de que algo estava errado pode surgir nos primeiros anos

O levantamento indica que 38,5% das participantes perceberam que havia problemas já nos primeiros anos do relacionamento. Para 21,4%, a percepção ficou mais clara depois de uma traição. Outras 12,3% disseram que passaram a identificar a situação após terem filhos.

O dado reforça a diferença entre perceber que a relação não vai bem e conseguir tomar a decisão de sair. Entre esses dois momentos, podem existir tentativas de mudança, reconciliações, promessas, medo de recomeçar e preocupação com as condições materiais para viver de forma independente.

Após o divórcio, paz emocional é a principal mudança relatada

Apesar das dificuldades, a maior parte das participantes descreveu melhora no bem-estar depois da separação. 41,6% afirmaram que a saúde emocional melhorou. Outras 45% disseram que piorou no início, mas melhorou posteriormente. Apenas 8,6% responderam que a saúde emocional piorou.

Quando perguntadas sobre a principal transformação depois do fim do relacionamento, 47,7% apontaram a paz emocional. A recuperação da autoestima foi citada por 15,1%, enquanto 10,6% destacaram a conquista de mais liberdade.

  • Paz emocional: 47,7%;
  • Recuperação da autoestima: 15,1%;
  • Mais liberdade: 10,6%.

Os resultados sugerem que a melhora nem sempre é imediata. Em quase metade das respostas, houve uma piora inicial seguida de recuperação. Esse período pode envolver luto pelo fim da relação, adaptação à nova rotina, reorganização financeira e definição de limites com o ex-parceiro. Com o tempo, porém, parte das mulheres passa a associar a separação à retomada do controle sobre a própria vida.

O que os números mostram — e o que não mostram

O levantamento oferece um retrato das experiências de mulheres que participaram da consulta, mas não permite afirmar que os mesmos percentuais se aplicam a toda a população feminina. Também não é possível concluir, apenas com os dados apresentados, que toda separação produz melhora emocional ou que o divórcio seja uma solução simples para conflitos conjugais.

O principal sinal identificado é outro: entre as participantes, a decisão de terminar apareceu ligada à busca por respeito, segurança emocional, autonomia e qualidade de vida. A maioria não se arrependeu do rompimento, mas os relatos também mostram que a reconstrução exige tempo e pode ser atravessada por obstáculos familiares, sociais e econômicos.

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