O Grupo TLJ apresentou, em 28 de setembro de 2026, o Cockpit AI, aplicativo de inteligência artificial criado para atuar diretamente no CRM das empresas. A ferramenta reúne sete agentes, chamados de pilotos, que assumem tarefas específicas da operação comercial, como análise do funil de vendas, organização da rotina dos vendedores, limpeza de cadastros e acompanhamento da satisfação dos clientes.
O lançamento foi realizado em uma transmissão ao vivo pelo YouTube e marca a estreia pública do sistema. A proposta é colocar a inteligência artificial dentro do fluxo de trabalho já usado pelas equipes, em vez de tratá-la apenas como uma ferramenta externa de consulta. Na prática, o CRM — sigla em inglês para gestão do relacionamento com o cliente — concentra informações sobre contatos, empresas, oportunidades, reuniões, negociações e histórico de atendimento.
Cockpit AI acompanha diferentes etapas da operação comercial
O aplicativo foi estruturado para dividir as atividades entre agentes com funções distintas. Segundo o Grupo TLJ, a equipe trabalha em conjunto para transformar os dados registrados no CRM em tarefas, alertas e recomendações para gestores e vendedores.
Atlas concentra a gestão e depende de confirmação humana
Descrito pela empresa como o capitão da equipe, Atlas reúne informações do painel de gestão. Entre os dados acompanhados estão tarefas, negócios, reuniões, ranking de ganhos e fontes de leads — potenciais clientes que demonstraram interesse em um produto ou serviço.
O agente responde por chat e tem uma atribuição específica dentro do sistema: é o único autorizado a alterar campos do CRM. Mesmo assim, as mudanças não são feitas de forma totalmente independente. A ferramenta exige confirmação humana antes da alteração, mantendo o usuário responsável pela aprovação das informações modificadas.
Pulso identifica negócios parados no funil de vendas
Pulso faz a leitura do funil comercial e aponta oportunidades sem movimentação. O agente também apresenta a taxa de ganho e o ciclo de venda, indicadores usados para entender quantas negociações avançam e quanto tempo costuma levar até o fechamento.
As oportunidades são classificadas conforme o período sem movimentação:
- Quentes: até dez dias sem atualização;
- Mornas: entre 11 e 30 dias;
- Frias: acima de 30 dias sem movimentação.
Essa divisão permite que a equipe comercial priorize os contatos que podem exigir uma ação mais rápida. Um negócio parado não significa necessariamente que foi perdido, mas pode indicar falta de retorno, atraso em uma proposta ou ausência de uma próxima etapa registrada.
Zelo e Lumi organizam dados e prioridades
O agente Zelo faz uma varredura no cadastro a cada hora. A busca identifica contatos e empresas duplicados, campos obrigatórios vazios e campos repetidos na configuração do CRM. A limpeza dessas informações é importante porque registros inconsistentes podem gerar contatos repetidos, relatórios imprecisos e dificuldade para localizar o histórico de um cliente.
Já Lumi envia a cada vendedor, pelo próprio chat do CRM, uma lista de prioridades para o dia. Além de indicar o que precisa ser feito, o agente apresenta a justificativa de cada recomendação. Lumi também produz um relatório diário de ligações e conversas, permitindo que a gestão acompanhe a atividade da equipe sem depender apenas de relatos manuais.
Mira, Mike e Rádio completam a equipe de agentes
Mira conduz pesquisas de satisfação depois do fechamento de negócios ganhos. A aplicação usa o NPS, sigla para Net Promoter Score, metodologia que busca medir a disposição do cliente de recomendar a empresa. O acompanhamento após a venda ajuda a identificar a percepção do consumidor e possíveis pontos de melhoria no atendimento ou na entrega.
Mike administra a mídia paga e dispara campanhas de forma autônoma, conforme a configuração da operação. A mídia paga envolve anúncios financiados em plataformas digitais para alcançar públicos definidos e gerar novos contatos ou oportunidades comerciais.
O sétimo agente, Rádio, funciona como canal de suporte. Ele orienta os colaboradores sobre o uso do Cockpit AI e ajuda a esclarecer dúvidas relacionadas à ferramenta. Com isso, o sistema reúne funções de gestão, análise, organização de dados, relacionamento com clientes, marketing e suporte em uma mesma estrutura.
Uso de inteligência artificial avança entre empresas brasileiras
O lançamento acontece em um momento de expansão da inteligência artificial no setor produtivo brasileiro. Dados da pesquisa TIC Empresas 2025, conduzida pelo Cetic.br, mostram que a proporção de empresas que utilizaram tecnologias de IA passou de 13% em 2024 para 17% em 2025.
Entre as pequenas empresas, o avanço foi de 10% para 15% no mesmo período. O levantamento também aponta que a automação de processos e fluxos de trabalho é a aplicação mais frequente entre as organizações que já adotaram inteligência artificial.
Esse cenário ajuda a explicar a busca por sistemas capazes de executar tarefas repetitivas e organizar informações comerciais. Em muitas empresas, vendedores e gestores ainda precisam gastar parte do expediente conferindo planilhas, atualizando registros, procurando oportunidades esquecidas e preparando relatórios. A automação dessas etapas pode liberar tempo para atividades que dependem de contato, negociação e tomada de decisão.
Ferramenta mantém participação humana em decisões do CRM
Apesar de assumir tarefas operacionais, o Cockpit AI não elimina a participação dos profissionais. A própria estrutura apresentada pelo Grupo TLJ prevê confirmação humana para as alterações feitas por Atlas, além da atuação dos colaboradores na configuração das campanhas, na análise das prioridades e no acompanhamento dos resultados.
Esse modelo combina automação e supervisão. A inteligência artificial identifica padrões, organiza dados e sugere ações, enquanto a equipe continua responsável por validar informações e conduzir decisões comerciais. A medida também reduz o risco de que uma alteração incorreta seja feita automaticamente no cadastro de clientes.
Para gestores, a principal promessa do aplicativo é concentrar em um único ambiente diferentes sinais da operação: negócios parados, qualidade do cadastro, desempenho da equipe, satisfação dos clientes e desempenho de campanhas. Para vendedores, o foco está em receber uma orientação mais clara sobre quais contatos devem ser priorizados e por qual motivo.
O produto foi desenvolvido pelo Grupo TLJ sob a liderança do CEO Juliano Reyes. A estreia pública coloca a empresa entre as organizações que buscam aplicar agentes de inteligência artificial diretamente em processos comerciais, acompanhando a tendência de automação que já aparece nos dados mais recentes sobre o uso da tecnologia no país.