Um concurso nacional quer usar os jogos digitais como porta de entrada para ampliar o acesso ao ensino de tecnologia no Brasil. O Framework Arcade foi lançado pela Framework Digital, consultoria de tecnologia com mais de 16 anos de atuação, em parceria com a ONG Programadores do Amanhã. A participação é gratuita e as inscrições podem ser feitas até 21 de outubro.
A proposta é reunir equipes de desenvolvedores para criar protótipos de jogos capazes de ajudar pessoas a avançar além do nível básico de educação em tecnologia. Os participantes deverão transformar conceitos de programação e conhecimento digital em experiências interativas, usando uma linguagem que já faz parte do cotidiano de muitos jovens brasileiros.
Concurso busca enfrentar desigualdade no acesso à tecnologia
O desafio parte de um problema que aparece tanto na educação quanto no mercado de trabalho: as oportunidades criadas pelo setor de tecnologia ainda não chegam de forma equilibrada à população. Dados apresentados pela Programadores do Amanhã indicam que 33% das empresas de tecnologia não têm nenhuma pessoa negra em suas equipes técnicas. Entre as empresas que contam com profissionais negros, 68% não passam de 10% de participação desse grupo nos times.
Esse cenário ajuda a explicar por que iniciativas de formação e inclusão são importantes. O domínio de ferramentas digitais, lógica de programação e outros conhecimentos técnicos pode ampliar as possibilidades de estudo e emprego, mas o acesso a computadores, internet, cursos e orientação continua desigual no país.
O Framework Arcade tenta atuar nesse ponto por meio da criação de jogos educativos. Em vez de apresentar o aprendizado tecnológico apenas em aulas tradicionais, o concurso propõe que os participantes desenvolvam soluções capazes de ensinar por meio da interação, da experimentação e da resolução de problemas.
“A tecnologia criou muitas das oportunidades do nosso tempo, mas elas ainda não chegaram a todo mundo. Com o Framework Arcade, queremos que a comunidade de desenvolvedores use a criatividade para abrir esse caminho a mais pessoas”, afirma Ludmilla Fernandes, CRO da Framework Digital.
Quem pode participar do Framework Arcade
O concurso é aberto a equipes formadas por exatamente quatro pessoas. Os integrantes precisam ser maiores de 18 anos e morar em qualquer lugar do Brasil. A formação fixa dos grupos é uma das regras centrais da competição, que foi pensada para estimular a colaboração entre profissionais ou estudantes interessados em desenvolvimento de jogos e educação tecnológica.
Para se inscrever, cada equipe deverá apresentar dois materiais principais:
- Um documento de design do jogo, conhecido pela sigla GDD, do inglês Game Design Document. Esse arquivo descreve a proposta, as regras, os objetivos, os personagens, as mecânicas e a experiência planejada para o jogador;
- Um protótipo jogável, que permita avaliar na prática como a ideia funciona;
- Um vídeo de até 90 segundos publicado no Instagram, apresentando o projeto e marcando os perfis @framework.digital e @programadoresdoamanha.
O uso de ferramentas de inteligência artificial é permitido durante o desenvolvimento. A autorização acompanha uma realidade cada vez mais presente no setor de tecnologia, no qual sistemas de IA podem ser usados para apoiar etapas como programação, criação de textos, elaboração visual e testes. A responsabilidade pela proposta e pela entrega, no entanto, permanece com a equipe inscrita.
Como será a avaliação dos projetos
A escolha do vencedor terá duas etapas. Na primeira, uma Comissão Julgadora selecionará os melhores projetos. Os critérios anunciados são:
- Inovação da proposta;
- Viabilidade técnica para transformar a ideia em uma experiência funcional;
- Qualidade do protótipo jogável;
- Qualidade da apresentação do projeto.
Depois da seleção dos finalistas, a decisão será influenciada pelo engajamento no Instagram. Vencerá o squad cujo vídeo tiver o maior número de interações, conforme a dinâmica da competição. A combinação entre avaliação técnica e participação do público busca considerar tanto a consistência do jogo quanto a capacidade de comunicação da equipe.
A Comissão Julgadora terá participação da Programadores do Amanhã, organização que atua diretamente com formação gratuita em programação para jovens pretos, pardos e indígenas em situação de vulnerabilidade social.
ONG já formou mais de 300 jovens
Desde 2021, a Programadores do Amanhã já formou mais de 300 jovens. As aulas são realizadas pela internet, mas a organização também oferece suporte para reduzir uma das principais barreiras desse modelo: a falta de equipamento e de conexão.
Os estudantes que não têm computador ou acesso adequado à internet recebem um notebook e auxílio para a conexão. A medida mostra que a inclusão digital não depende apenas da oferta de conteúdo. Para acompanhar uma formação online, também é necessário ter condições materiais mínimas para assistir às aulas, praticar e desenvolver projetos.
A parceria com o concurso amplia essa atuação para o campo dos jogos digitais. A expectativa é que as equipes participantes desenvolvam protótipos que possam tornar temas de tecnologia mais acessíveis a públicos que normalmente não têm contato com esse tipo de conhecimento.
Inscrições e prêmio
As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo site da Framework Digital, na página do Framework Arcade: frameworkdigital.com.br/frameworkarcade. Como a competição aceita participantes de qualquer estado, podem se inscrever equipes residentes em diferentes regiões do país, desde que cumpram a exigência de quatro integrantes maiores de 18 anos.
O resultado está previsto para ser divulgado em 16 de novembro de 2026. O squad campeão receberá quatro ingressos para um dia da CCXP 2026. O transporte e a hospedagem da equipe vencedora serão custeados pela Framework Digital.
Mais do que uma disputa de protótipos, o concurso coloca em discussão o papel da tecnologia como ferramenta de educação e inclusão. Ao convidar desenvolvedores a criar jogos com finalidade pedagógica, a iniciativa tenta aproximar dois públicos: quem produz soluções digitais e quem ainda encontra dificuldades para acessar conhecimentos básicos do setor.