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Cibersegurança amplia demanda por profissionais com visão estratégica

Redação Saiu Agora
29 de setembro de 2026 às 14:52
Cibersegurança amplia demanda por profissionais com visão estratégica
Foto: Divulgação
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A expansão dos ataques digitais e o uso crescente de inteligência artificial estão mudando o perfil procurado pelo mercado de cibersegurança. Além do domínio técnico, empresas passaram a buscar profissionais capazes de administrar riscos, atuar com governança, comunicar decisões e relacionar a proteção de dados aos objetivos do negócio.

Nos Estados Unidos, o U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), órgão responsável por estatísticas oficiais de trabalho e emprego, projeta crescimento de 21% nas vagas para analistas de segurança da informação entre 2025 e 2035. A estimativa representa cerca de 14.100 novas oportunidades por ano. Em maio de 2025, a remuneração mediana para a função era de US$ 129.180.

Mercado de cibersegurança também exige inteligência artificial e comunicação

O movimento aparece também nos anúncios de emprego monitorados pela plataforma CyberSeek, apoiada pelo National Institute of Standards and Technology (NIST). Entre maio de 2024 e abril de 2025, foram registrados 514.359 anúncios relacionados à cibersegurança. Aproximadamente 10% deles mencionavam competências em inteligência artificial.

O número indica que a IA já começa a fazer parte das exigências de contratação, mas não substitui a necessidade de profissionais capazes de interpretar cenários, tomar decisões e responder por políticas de segurança. Na prática, ferramentas automatizadas podem ajudar a identificar ameaças e padrões suspeitos, mas a definição de prioridades, a avaliação do impacto e a escolha das medidas de proteção continuam dependendo de pessoas qualificadas.

Essa combinação de competências também foi apontada pelo ISC2 Cybersecurity Workforce Study 2025, estudo que ouviu 16.029 profissionais e tomadores de decisão da área. Segundo o levantamento:

  • 95% das organizações relataram necessidade de novas competências;
  • 59% classificaram parte dessas habilidades como críticas ou significativas;
  • 73% dos entrevistados acreditam que a inteligência artificial aumentará a procura por conhecimentos especializados;
  • 72% apontaram maior necessidade de mentalidade estratégica;
  • 65% destacaram a importância da comunicação.

Do conhecimento técnico à liderança em segurança digital

O cenário favorece a ascensão de profissionais que conseguem fazer a ponte entre as equipes de tecnologia e a direção das empresas. Esse papel envolve explicar riscos em linguagem compreensível, definir níveis aceitáveis de exposição, acompanhar normas e orientar investimentos em proteção digital.

Para Dario Caraponale, especialista em segurança da informação e CEO da Strong Security Brasil, a liderança em cibersegurança resulta da combinação entre conhecimento técnico, gestão de riscos, governança, estratégia e capacidade de traduzir segurança para os negócios. Na avaliação do executivo, o especialista técnico continua indispensável, mas parte desses profissionais precisará avançar para funções que envolvem decisões estratégicas.

A mudança é relevante porque incidentes digitais deixaram de ser um problema restrito ao setor de tecnologia. Uma invasão pode interromper serviços, expor dados pessoais, causar prejuízos financeiros, afetar a reputação de uma organização e gerar obrigações legais. Por isso, as decisões de segurança precisam envolver áreas como administração, jurídico, recursos humanos, finanças e comunicação.

Entre as competências mais procuradas para analistas de segurança da informação, o BLS cita conhecimentos de tecnologia da informação, adaptabilidade e comunicação. A lista mostra que o mercado não procura apenas alguém capaz de operar sistemas ou configurar ferramentas. Também há demanda por profissionais que consigam acompanhar mudanças rápidas, trabalhar com diferentes equipes e explicar problemas complexos a públicos não técnicos.

Formação combina cibersegurança, gestão e governança

Uma das alternativas para profissionais experientes que buscam avançar na carreira são os programas de mestrado que combinam cibersegurança e gestão. Esse tipo de formação costuma tratar de temas como governança, gerenciamento de riscos, liderança, pesquisa e tomada de decisão.

A qualificação acadêmica, porém, não substitui a experiência prática nem as certificações técnicas. O caminho tende a ser complementar: a vivência profissional ajuda a entender os problemas reais das organizações, enquanto o estudo estruturado amplia a capacidade de analisar cenários, formular políticas e conduzir projetos de longo prazo.

A Strong Security Brasil mantém uma parceria internacional para oferecer o programa Master of Science in Management: Cybersecurity. A formação inclui aulas ao vivo em português e é apresentada como opção para quem pretende unir conhecimentos de segurança digital e administração. A proposta atende principalmente profissionais que já atuam no setor ou em áreas relacionadas e desejam se preparar para posições de liderança.

O que muda para empresas e profissionais

Para as empresas, a tendência significa rever descrições de cargos e critérios de contratação. A busca por um profissional exclusivamente operacional pode não atender às necessidades de organizações que precisam estruturar políticas, responder a incidentes e demonstrar controle sobre seus riscos digitais.

Para quem trabalha na área, o avanço da inteligência artificial e a ampliação das ameaças aumentam a importância da atualização contínua. O profissional que pretende ocupar funções de coordenação ou direção precisa desenvolver, além das habilidades técnicas, capacidade de comunicação, visão de negócio e entendimento sobre governança.

Os dados disponíveis são referentes principalmente ao mercado norte-americano e a estudos internacionais, portanto não representam uma projeção específica para o Brasil. Ainda assim, ajudam a mostrar uma tendência global: a cibersegurança deixou de ser apenas uma área de suporte tecnológico e passou a ocupar espaço nas decisões estratégicas de organizações públicas e privadas.

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