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Censo 2022 aponta desigualdade nas condições de moradia de pessoas com deficiência

Redação Saiu Agora
18 de setembro de 2026 às 13:28
Censo 2022 aponta desigualdade nas condições de moradia de pessoas com deficiência
Foto: Divulgação
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Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (18), mostram que as pessoas com deficiência vivem, em média, em moradias com menos acesso a serviços básicos e equipamentos domésticos do que os moradores sem deficiência. O levantamento revela diferenças em saneamento, abastecimento de água, coleta de lixo, internet e posse de eletrodomésticos.

Embora os percentuais sejam nacionais, o diagnóstico ajuda a dimensionar um problema que também precisa ser considerado em municípios como Alfenas: a deficiência não está relacionada apenas à saúde ou à mobilidade. Ela também pode ampliar os efeitos da pobreza, da falta de infraestrutura urbana e das barreiras de acesso a serviços públicos.

Pessoas com deficiência têm menor acesso ao saneamento básico

O indicador mais amplo de saneamento básico mostra que 56,6% dos lares onde vivem pessoas com deficiência contam simultaneamente com os três serviços considerados na análise: abastecimento de água por rede ou distribuição, esgotamento sanitário adequado e coleta direta ou indireta de resíduos. Entre as moradias onde residem apenas pessoas sem deficiência, o índice chega a 60,2%.

A diferença também aparece quando os serviços são observados separadamente:

  • Esgotamento sanitário: atende 59,8% das pessoas com deficiência, contra 63,1% dos moradores sem deficiência;
  • Abastecimento de água: alcança 82% dos lares com pessoas com deficiência e 83,1% das residências sem moradores com deficiência;
  • Coleta de lixo: está disponível para 90,1% das moradias com pessoas com deficiência e para 91,1% das demais;
  • Banheiro exclusivo: não está presente em 2,4% dos lares com pessoas com deficiência, ante 2,2% daqueles onde só vivem pessoas sem deficiência;
  • Paredes externas: são predominantemente feitas com material não durável em 1,4% das casas com pessoas com deficiência, contra 1,2% das outras moradias.

Os números mostram que a desigualdade não se resume à existência ou não de uma rede de água ou de esgoto. Para uma moradia ser considerada mais adequada, é necessário que diferentes serviços funcionem de forma combinada. A ausência de coleta regular de resíduos, por exemplo, pode aumentar riscos sanitários, enquanto a falta de esgotamento adequado prejudica a saúde e a qualidade ambiental.

Acesso à internet também é menor

A diferença se repete na conectividade. Segundo o levantamento, 78,9% dos lares onde residem pessoas com deficiência têm acesso domiciliar à internet. Nas moradias ocupadas exclusivamente por pessoas sem deficiência, a proporção sobe para 90,2%.

O acesso à internet tem impacto direto na vida cotidiana. Serviços públicos, agendamentos médicos, oportunidades de trabalho, educação, comunicação e informações sobre benefícios sociais são cada vez mais oferecidos por meios digitais. Por isso, a menor conectividade pode dificultar ainda mais a autonomia e o acesso a direitos por parte das pessoas com deficiência.

Além da disponibilidade do serviço, a inclusão digital depende de equipamentos adequados, qualidade da conexão e acessibilidade. Sites e aplicativos que não funcionam com leitores de tela, não oferecem legendas ou exigem etapas incompatíveis com diferentes limitações podem criar novas barreiras, mesmo quando há internet no domicílio.

Máquina de lavar está presente em menos casas

O Censo também identificou desigualdade na presença de eletrodomésticos. A máquina de lavar roupas está disponível em 60,4% dos domicílios com moradores com deficiência. Nas casas onde vivem apenas pessoas sem deficiência, o percentual é de 68,9%.

Esse tipo de equipamento pode representar mais do que conforto. Para pessoas com limitações motoras ou dificuldades para realizar tarefas manuais, a máquina de lavar reduz o esforço físico e pode contribuir para a independência. A menor presença do eletrodoméstico, portanto, pode indicar restrições de renda e também maior dificuldade para executar atividades domésticas.

Menor adensamento não significa melhores condições gerais

O único indicador apresentado em que as pessoas com deficiência aparecem em situação mais favorável é o de adensamento excessivo. Entre elas, 3% vivem em domicílios com três ou mais pessoas por dormitório. Nas casas ocupadas somente por pessoas sem deficiência, o percentual é de 4,8%.

O IBGE relaciona esse resultado ao perfil etário da população com deficiência. Pessoas com dificuldades para enxergar, ouvir, se locomover, pegar objetos ou relacionadas a funções mentais são, em boa parte, idosas. A população idosa tende a viver mais frequentemente em domicílios unipessoais, ou seja, com apenas um morador.

“Uma boa parte das pessoas com deficiência é idosa. E as pessoas idosas vivem mais em domicílios unipessoais, com apenas um morador”, explica o pesquisador do IBGE Leonardo Queiroz Athias.

Desigualdade exige políticas públicas integradas

Os dados reforçam que políticas de inclusão precisam ir além da oferta de atendimento especializado. A melhoria das condições de vida depende de ações combinadas em áreas como habitação, saneamento, mobilidade, conectividade, assistência social e saúde.

Para cidades como Alfenas, o desafio envolve identificar onde estão as maiores necessidades e garantir que as políticas municipais alcancem as pessoas com deficiência que vivem em áreas com infraestrutura mais precária. Também é importante que programas de moradia e urbanização considerem acessibilidade, segurança e autonomia dentro e fora das residências.

O Censo Demográfico é realizado pelo IBGE e reúne informações sobre a população e os domicílios brasileiros. Os dados permitem comparar diferentes grupos sociais e ajudam governos a planejar serviços públicos. No caso das pessoas com deficiência, os resultados mostram que a desigualdade aparece em várias dimensões da vida doméstica e pode se somar às dificuldades de deslocamento, trabalho e acesso a serviços.

O levantamento também aponta que as pessoas com deficiência enfrentam mais obstáculos para sair de casa e chegar ao trabalho, com tempo médio de deslocamento 12% maior. Esse dado, associado às condições de moradia e à menor conectividade, indica que as barreiras não são isoladas: elas podem se acumular e reduzir as oportunidades de estudo, emprego, renda e participação social.

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