O controle da dureza da água é uma etapa importante para indústrias que dependem de estabilidade química, aquecimento e resfriamento em suas operações. O uso de abrandadores de água reduz a concentração de cálcio e magnésio, minerais que podem se acumular em tubulações, caldeiras, torres de resfriamento e linhas de produção, formando incrustações e aumentando os custos de manutenção.
Esses equipamentos utilizam resinas catiônicas para retirar os íons responsáveis pela dureza. Na prática, a água passa por um tanque com material capaz de reter cálcio e magnésio, substituindo-os por outros íons. Com isso, o líquido chega mais adequado a processos que exigem menor presença desses minerais.
Estudo mostra queda da dureza antes da entrada em caldeira
Uma pesquisa da Unoesc, realizada em uma indústria alimentícia do meio-oeste de Santa Catarina, mediu os efeitos do tratamento da água utilizada em uma caldeira. O estudo registrou que a dureza total média caiu de 20 mg/L no pré-abrandador para 3 mg/L na entrada da caldeira.
No ciclo analisado, a eficiência de regeneração do sistema foi de 100%. A regeneração é a etapa em que a resina utilizada no abrandador recupera sua capacidade de retenção, normalmente por meio de uma solução regenerante. A frequência desse procedimento depende da qualidade da água de entrada, do volume tratado e da carga de minerais que o sistema precisa remover.
A pesquisa também apontou que 77,19% dos depósitos de incrustação encontrados na tubulação eram formados por cálcio e magnésio acumulados ao longo dos anos de operação. O dado relaciona diretamente a dureza não controlada à perda de desempenho e ao desgaste de estruturas industriais.
Como a incrustação afeta a indústria
As incrustações funcionam como uma camada isolante nas superfícies de troca térmica. Em uma caldeira, por exemplo, o depósito mineral dificulta a transferência de calor entre a fonte de energia e a água. Para alcançar a mesma temperatura, o equipamento pode precisar consumir mais combustível ou operar por mais tempo.
Em torres de resfriamento e outros sistemas térmicos, o acúmulo de minerais também pode reduzir a eficiência do processo, restringir a passagem de água e provocar paradas para limpeza. Dependendo da extensão do problema, a indústria pode enfrentar custos com produtos químicos, mão de obra, substituição de peças e interrupção da produção.
- Redução do risco de incrustação em caldeiras e tubulações;
- Menor necessidade de manutenção corretiva;
- Preservação das superfícies de troca térmica;
- Possível redução do consumo de energia;
- Maior estabilidade em processos que exigem água com baixa dureza.
O tratamento não elimina a necessidade de acompanhamento técnico. A qualidade da água deve ser analisada regularmente, porque a composição varia conforme a origem do abastecimento, a época do ano e as condições da rede ou do poço utilizado pela empresa.
Dimensionamento depende da operação de cada empresa
Não existe um único modelo de abrandador adequado para todas as instalações. O equipamento precisa ser dimensionado de acordo com a vazão de operação, a concentração de cálcio e magnésio na água de entrada, o volume consumido e a frequência ideal de regeneração das resinas.
Um sistema subdimensionado pode perder eficiência rapidamente e exigir regenerações frequentes. Já um equipamento superdimensionado pode elevar o investimento inicial e aumentar o consumo de água e de insumos sem necessidade operacional. Por isso, a escolha deve considerar tanto a demanda atual quanto possíveis mudanças na produção.
“A remoção da dureza é decisiva para preservar o desempenho de sistemas térmicos e evitar perdas por incrustação”, afirma Nelson Isao Watanabe, fundador da Asstefil Indústria e Comércio de Filtros Ltda., empresa sediada em Santo André, em São Paulo, que atua com soluções de tratamento de água para os segmentos residencial, comercial e industrial.
Manutenção e acompanhamento são parte do tratamento
O funcionamento adequado do abrandador depende da manutenção do conjunto, do controle da regeneração e da verificação periódica da dureza na saída do equipamento. Também é necessário observar o estado das resinas e avaliar se há alterações na pressão, na vazão ou na qualidade da água tratada.
Em ambientes industriais, o controle costuma fazer parte de um programa mais amplo de tratamento de água, que pode incluir filtração, controle de corrosão, monitoramento microbiológico e outros procedimentos definidos conforme o processo. O abrandamento atua especificamente sobre os minerais responsáveis pela dureza e não substitui todas as demais etapas de tratamento.
Os equipamentos disponíveis no mercado podem ser configurados para diferentes demandas, desde instalações menores até operações industriais com consumo elevado. A adoção do sistema, quando baseada em análise da água e no dimensionamento correto, ajuda a proteger ativos, reduzir perdas operacionais e manter a regularidade dos processos que dependem de aquecimento ou resfriamento.