Pular para o conteúdo
Cidade

ABB reduz 79% das emissões operacionais e projeta neutralidade de carbono até 2050

Redação Saiu Agora
21 de setembro de 2026 às 19:38
ABB reduz 79% das emissões operacionais e projeta neutralidade de carbono até 2050
Foto: Divulgação
Compartilhar: WhatsApp Facebook X LinkedIn

A ABB, empresa global de tecnologias de eletrificação e automação, reduziu em 79% as emissões dos escopos 1 e 2 em relação a 2019 e projeta alcançar a meta net zero até 2050. Os dados estão no relatório mais recente de sustentabilidade da companhia, que também prevê avanços adicionais até o fim da década e detalha ações em unidades no Brasil.

As emissões de escopo 1 são aquelas geradas diretamente pelas operações da empresa, como o consumo de combustíveis em instalações e veículos próprios. Já o escopo 2 está relacionado à energia elétrica adquirida. A redução anunciada, portanto, mede principalmente o impacto ambiental das atividades sob controle mais direto da companhia.

ABB amplia uso de energia renovável e eletrificação de veículos

Segundo o relatório, o resultado foi obtido por meio de um conjunto de medidas. Entre elas estão a ampliação do uso de energia renovável nas instalações, a adoção de tecnologias de eficiência energética produzidas pela própria ABB e a eletrificação de veículos utilizados nas operações.

A empresa também trabalha para conter vazamentos de SF₆, um gás de efeito estufa usado como isolante em determinados equipamentos fabricados pela companhia. Embora o gás tenha aplicação técnica em sistemas elétricos, seu controle é relevante para a estratégia de redução de emissões porque ele possui alto potencial de aquecimento global.

  • Redução de 79% das emissões de escopos 1 e 2 desde 2019;
  • Meta de chegar a uma redução de 86% nos escopos 1 e 2 até 2030;
  • Previsão de cortar 25% das emissões de escopo 3 em relação à linha de base de 2022;
  • Projeção de alcançar a neutralidade de carbono, ou net zero, até 2050.

Metas para 2030 incluem cadeia produtiva e uso dos equipamentos

A ABB afirma que pretende reduzir em 86% as emissões dos escopos 1 e 2 até 2030. O percentual é seis pontos acima da meta inicial estabelecida pela empresa. A companhia também estabeleceu o objetivo de reduzir em 25% as emissões de escopo 3, tomando como referência a linha de base de 2022.

O escopo 3 é mais amplo e envolve emissões que não são geradas diretamente pela operação da empresa. Nesse grupo entram, por exemplo, impactos associados à cadeia de fornecedores e ao uso dos equipamentos da ABB pelos clientes. Por isso, essa etapa depende não apenas de mudanças internas, mas também da participação de parceiros, consumidores e demais integrantes da cadeia de valor.

Para a ABB, a descarbonização não se limita ao consumo de energia dentro das fábricas e escritórios. A estratégia inclui o desenvolvimento de soluções de eletrificação, automação e eficiência capazes de ajudar outros setores da economia a reduzir o uso de combustíveis fósseis e o desperdício de energia.

Operação da ABB no Brasil supera 80% de redução

No Brasil, onde a empresa mantém unidades e escritórios, a redução dos escopos 1 e 2 já ultrapassa 80%, de acordo com Luciano Nassif, Country Holding Officer da ABB no país. O desempenho é atribuído às mesmas medidas adotadas internacionalmente e à maior disponibilidade de eletricidade renovável e de origem não fóssil no mercado brasileiro.

“A ABB vê a sustentabilidade em toda a cadeia de valor, dentro e fora de casa. Em nossa visão, a tecnologia é o ‘enabler’ da descarbonização. Por isso a ABB tem colocado bastante foco no desenvolvimento de soluções que possam contribuir para mitigar emissões nos mais diversos segmentos, que é também um dos nossos focos mais importantes em sustentabilidade”, afirmou Nassif.

O termo enabler, usado pelo executivo, pode ser entendido como habilitador ou viabilizador. No contexto da empresa, a ideia é que equipamentos e sistemas tecnológicos ajudem clientes a consumir menos energia, substituir fontes fósseis e controlar melhor os processos industriais.

Planta de Sorocaba destina 98% dos materiais antes descartados

Na planta da ABB em Sorocaba, no interior de São Paulo, a empresa criou um programa de gestão de resíduos que destina corretamente 98% dos materiais que antes eram encaminhados ao descarte. O relatório não detalha, no material considerado, a quantidade total de resíduos processados nem apresenta a divisão por tipo de material.

A unidade também ampliou o plantio de árvores nas áreas abertas. A iniciativa integra um conjunto de ações ambientais locais, mas não substitui a necessidade de reduzir emissões na origem. Em estratégias climáticas corporativas, medidas como eficiência energética, energia renovável e diminuição do consumo de combustíveis são combinadas com ações de gestão de resíduos e recuperação ambiental.

Metade dos veículos próprios já é elétrica

Outra frente adotada no Brasil foi a troca gradual dos veículos da empresa por modelos elétricos. O processo ganhou impulso depois da instalação de carregadores nas unidades. Atualmente, metade da frota própria é elétrica, e a previsão é que todos os veículos próprios da ABB sejam eletrificados até 2030.

A eletrificação reduz as emissões diretas dos veículos movidos a combustíveis fósseis. O benefício climático final, porém, também depende da fonte usada para gerar a eletricidade. No caso brasileiro, a empresa relaciona o avanço à maior disponibilidade de energia renovável e não fóssil no país.

Projeto Circularidade recicla equipamentos obsoletos

Por meio da área de negócios Motion, voltada a soluções de movimento e acionamentos industriais, a ABB implantou o Projeto Circularidade. A iniciativa recebe equipamentos obsoletos para reciclagem e prevê a certificação do tratamento dado aos materiais coletados.

O projeto também calcula as emissões evitadas com a reciclagem e oferece vantagens na compra de equipamentos novos da ABB. A proposta combina logística reversa, reaproveitamento de materiais e renovação tecnológica. Na prática, o cliente pode encaminhar equipamentos antigos para uma destinação controlada e, ao mesmo tempo, obter condições associadas à substituição por soluções novas.

A chamada economia circular busca prolongar a vida útil dos produtos, recuperar matérias-primas e reduzir a necessidade de extrair novos recursos. No setor industrial, esse modelo é especialmente relevante porque equipamentos elétricos e de automação podem conter metais e outros materiais com valor econômico e ambiental.

O que as metas significam para clientes e cadeia de fornecedores

As metas divulgadas pela ABB indicam que a agenda climática da companhia envolve três níveis. O primeiro é a redução das emissões dentro das próprias operações. O segundo está relacionado à energia comprada e à frota. O terceiro depende da cadeia produtiva e da forma como os clientes utilizam os equipamentos.

Para os clientes, a estratégia pode significar maior oferta de soluções de eficiência energética, eletrificação, automação e reciclagem de equipamentos. Para fornecedores e parceiros, a redução do escopo 3 tende a exigir informações mais detalhadas sobre processos, matérias-primas, transporte e consumo de energia.

A projeção de net zero até 2050 representa um compromisso de longo prazo, mas os resultados mais concretos estão concentrados nas metas intermediárias. A empresa terá de manter o ritmo de redução até 2030, ampliar a eletrificação da frota, controlar gases de efeito estufa usados em equipamentos e avançar sobre as emissões indiretas associadas à cadeia de valor.

Assuntos

Relacionadas

Leia também