ABB e Rolls-Royce SMR assinaram um acordo para avaliar a integração de tecnologias de automação e eletrificação em projetos de reatores nucleares modulares de pequeno porte. O objetivo é apoiar a implantação global dos equipamentos britânicos e ampliar a oferta de energia considerada de baixo carbono, em um momento de crescimento da demanda mundial por eletricidade.
O acordo, divulgado nesta semana, prevê a análise de oportunidades para aplicar soluções da ABB nas instalações que a Rolls-Royce SMR pretende desenvolver em diferentes países. A parceria envolve sistemas usados para controlar processos industriais, monitorar operações e distribuir energia dentro de empreendimentos complexos, como usinas nucleares.
Reator de 470 MW pode atender cerca de 1 milhão de residências
O modelo em avaliação tem capacidade estimada de 470 megawatts (MW). Segundo a Rolls-Royce SMR, cada unidade poderá fornecer eletricidade suficiente para abastecer aproximadamente 1 milhão de residências por até seis décadas. A empresa considera que a padronização do projeto e o uso de componentes e sistemas integrados podem contribuir para tornar a construção e a operação dos reatores mais previsíveis.
Os small modular reactors, conhecidos pela sigla SMR, são reatores nucleares de menor porte em comparação com grandes usinas convencionais. A proposta é que parte dos componentes seja produzida em ambiente industrial e depois transportada para o local de instalação. O conceito busca reduzir a complexidade das obras, permitir a construção por etapas e atender a diferentes necessidades de geração de energia.
Na prática, a automação é uma parte central desse tipo de empreendimento. Sistemas automatizados podem acompanhar variáveis operacionais, controlar equipamentos e apoiar procedimentos de segurança e manutenção. Já as soluções de eletrificação estão relacionadas à distribuição e ao gerenciamento da energia usada pelos próprios sistemas da usina e pela rede elétrica.
Projetos avançam no Reino Unido, na República Tcheca e na Suécia
A Rolls-Royce SMR informou que já avançou nos projetos técnicos para instalar três unidades em uma usina nuclear no País de Gales. O movimento faz parte da estratégia da companhia para formar uma frota de reatores modulares e ampliar sua presença no mercado internacional.
A empresa também negocia com o grupo tcheco ČEZ a instalação de reatores modulares em empreendimentos localizados na República Tcheca. As usinas citadas são:
- Temelín;
- Tušimice;
- Dětmarovice.
Outro projeto em desenvolvimento prevê a implantação de três reatores em um empreendimento de energia da geradora sueca Videberg Kraft. As iniciativas ainda representam etapas de desenvolvimento e negociação. A construção e a operação de instalações nucleares dependem de licenciamento, regras de segurança, aprovação regulatória e decisões de investimento em cada país.
Por que os SMRs são considerados estratégicos
A energia nuclear é classificada como uma fonte de baixa emissão de carbono durante a geração de eletricidade, embora a construção, o fornecimento de combustível, o gerenciamento de resíduos e o descomissionamento das instalações também façam parte da avaliação ambiental e econômica dos projetos.
Uma das principais características da geração nuclear é a capacidade de fornecer eletricidade de forma contínua, independentemente das condições de sol ou vento. Por isso, os reatores são associados à chamada geração de base, capaz de complementar fontes renováveis variáveis e reduzir a dependência de combustíveis fósseis em determinados sistemas elétricos.
Os SMRs, no entanto, ainda enfrentam desafios. Entre eles estão o custo inicial, a necessidade de comprovar a viabilidade comercial em escala, a criação de cadeias de fornecimento, o licenciamento de novos modelos e a definição de soluções para os rejeitos radioativos. A automação e a padronização são apontadas pelas empresas como ferramentas para melhorar a eficiência operacional e reduzir custos, fatores decisivos para a adoção da tecnologia.
Projeção da Agência Internacional de Energia
A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que a capacidade mundial de geração de eletricidade por SMRs poderá alcançar 40 GW até 2050 no cenário regulatório atual. Com incentivos governamentais, revisão dos modelos de negócio e simplificação dos processos regulatórios, a estimativa pode chegar a 120 GW no mesmo período.
As projeções ajudam a explicar o interesse de empresas de tecnologia, fabricantes de equipamentos e geradoras pelo segmento. Para que esse crescimento aconteça, porém, os projetos precisam superar barreiras regulatórias e financeiras, além de demonstrar segurança e competitividade diante de outras fontes de geração.
Executivos destacam integração entre as empresas
Stacy O'Brien, chefe de Compras Corporativas da Rolls-Royce SMR, afirmou que o acordo abre uma oportunidade para avaliar como as empresas podem reforçar a capacidade de execução dos projetos.
“Este acordo representa uma oportunidade para avaliarmos como podemos fortalecer ainda mais nossa equipe de entrega. A ABB tem um longo e impressionante histórico de fornecimento de soluções de automação e eletrificação para projetos de infraestrutura de energia”, declarou.
Per Erik Holsten, presidente da Divisão de Indústrias de Energia da ABB, disse que a companhia pretende contribuir para a formação de uma frota de SMRs capaz de ampliar a oferta de energia confiável e acessível com baixa emissão de carbono.
“Estamos satisfeitos em trabalhar com a Rolls-Royce SMR em seus esforços para desenvolver uma frota de SMRs que possa expandir a capacidade de geração de energia de base confiável e acessível para atender à crescente demanda por energia de baixo carbono”, afirmou.
O acordo não significa, por si só, que uma usina específica tenha recebido autorização para ser construída. Neste momento, as empresas vão explorar formas de aplicar as tecnologias da ABB nos projetos da Rolls-Royce SMR. O resultado dependerá do avanço técnico, das negociações comerciais e das aprovações exigidas pelos órgãos reguladores dos países envolvidos.